Eu achei que nunca fosse querer te ver de novo.
Sem pensar, resgatei da gaveta uma folha em branco e fiz alguns traços com nanquim.
Me surpreendi quando vi que tinha desenhado o seu rosto. Aquele semblante sério e calmo que me fazia dar o mais genuíno dos sorrisos, os seus olhos profundos, os cabelos lisos desarrumados, as sobrancelhas grossas, sua barba por fazer, os lábios carnudos... Desenhei as mãos largas, as garrafas de cerveja, lembrei do cheiro do cigarro, das noites sem dormir, dos amanheceres todos, daquele seu ar esnobe que me provocava. Música invadiu meus ouvidos conforme delineei seu corpo com a tinta – e desejei poder saber cada detalhe dele.
Não consigo mais te apagar daquela folha amassada.

1 comentários:
"e desejei poder saber cada detalhe dele"... to te sacando
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